Casamento com convidados estrangeiros: o guia para um casamento bilingue
Convites, site, cerimónia, discursos, alojamento: como organizar um casamento bilingue ou multicultural para que os convidados que vêm do estrangeiro se sintam bem recebidos.
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Um casal luso-francês, uma família dividida entre São Paulo e Lisboa, amigos conhecidos num Erasmus em Berlim: cada vez mais casamentos juntam convidados que não falam todos a mesma língua. Muitas vezes é isso que torna o dia inesquecível. Também exige um pouco mais de organização.
O objetivo é simples: que cada convidado perceba o que está a acontecer, saiba para onde ir e se sinta esperado. Eis como fazer, passo a passo.
Avisar mais cedo
Um convidado que vem do estrangeiro tem de tirar férias, reservar um voo e às vezes pedir um visto. Enviem o save the date 8 a 12 meses antes em vez de 6, pelo menos a quem vem de longe. Indiquem a data, a cidade e o aeroporto mais próximo: é tudo o que precisam para começar a procurar bilhetes.
Se algum convidado precisar de visto, ofereçam-lhe uma carta-convite assinada. Os prazos podem passar dos dois meses.
Convites em duas línguas
Funcionam duas soluções:
- Um convite bilingue, com os dois textos lado a lado ou um por baixo do outro. Mantenham o texto curto, senão o cartão fica ilegível.
- Duas versões do convite, uma por língua, consoante o convidado. Mais elegante, um pouco mais caro de imprimir.
Em ambos os casos, remetam para o site do casamento para os detalhes práticos. Um convite não tem espaço para explicar comboios, hotéis e dress code em duas línguas. Para os textos, o nosso guia convites de casamento: quando enviar e o que escrever tem exemplos para traduzir.
Um site de casamento na língua de cada um
Para convidados estrangeiros, o site do casamento não é um extra: é lá que encontram tudo o que não vos podem perguntar facilmente. O que deve ter além de um site clássico:
- Como chegar: aeroportos, estações, tempos de viagem, aluguer de carro, transfers.
- Onde ficar: alguns hotéis de preços diferentes, com a distância ao local.
- Os costumes: um jantar que começa tarde, a festa até de madrugada ou o envelope como presente surpreendem muitas vezes. Expliquem o programa para que ninguém jante antes de vir.
- O dress code, com exemplos concretos em vez de palavras que não se traduzem.
- Dinheiro e presentes: lista de casamento ou IBAN, e como contribuir a partir do estrangeiro.
O mais importante: cada convidado deve poder ler o site e confirmar a presença na sua língua. Com o site de casamento multilingue do iPlanMyWedding, escrevem os vossos textos na vossa língua, acrescentam as línguas dos convidados entre 36 (do inglês ao japonês passando pelo árabe), e cada um escolhe a sua no topo da página. Os botões, as datas e o formulário de resposta já estão traduzidos; só ficam os vossos próprios textos.
Para o resto do conteúdo, vejam o nosso guia o que pôr no site de casamento.
Uma cerimónia bilingue
É o momento mais delicado, porque é o mais emocionante: ninguém quer ficar de fora durante os votos.
Um celebrante bilingue, numa cerimónia simbólica, é a solução mais fluida. Alterna as línguas frase a frase ou resume cada passagem na outra língua.
Intervenções dos dois lados. Peçam a alguém de cada família que faça uma leitura ou um discurso na sua língua. A cerimónia fica naturalmente bilingue, sem tradução palavra a palavra.
Um livrete da cerimónia traduzido, distribuído à entrada, com o desenrolar e a tradução das leituras e dos votos. Os convidados acompanham ao seu ritmo.
Os votos na língua do outro. Se falam um pouco a língua do vosso par, dizer algumas frases nela é um dos momentos de que os convidados mais se lembram.
No casamento civil, se um de vocês não falar português, é normalmente exigido um intérprete: confirmem na conservatória quando abrirem o processo.
Discursos e animação
Evitem traduzir cada discurso por inteiro: a noite duraria o dobro. Prefiram discursos curtos, cada um na língua de quem fala, com um resumo de duas frases na outra. Projetar legendas num ecrã também funciona muito bem.
Para a música, peçam ao DJ que misture os clássicos de cada país. Nada une melhor duas famílias do que uma pista onde todos reconhecem as suas músicas.
O plano de mesas: misturar, mas não demasiado
A tentação é misturar completamente as duas famílias. É uma bela intenção, mas um convidado sentado numa mesa onde ninguém fala a sua língua vai ter uma noite longa. A boa regra: em cada mesa, pelo menos duas pessoas que partilhem uma língua e, se possível, uma que fale as duas e faça a ponte. O nosso guia como fazer o plano de mesas do casamento ajuda-vos a compor as mesas.
Receber quem vem de longe
Algumas atenções que fazem a diferença:
- Um pequeno saco de boas-vindas no hotel: um mapa da cidade, algumas especialidades locais, o programa impresso.
- Um jantar na véspera ou um brunch no dia seguinte, para que quem viajou aproveite mais do que uma noite.
- Um contacto no local que fale a língua deles, disponível para problemas de transporte ou hotel.
- O menu traduzido nas mesas, com os alergénios.
Perguntas frequentes
Com quanta antecedência convidar convidados estrangeiros?
Enviem um save the date 8 a 12 meses antes e o convite 4 meses antes. Quem precisar de visto deve saber o mais cedo possível.
É preciso traduzir tudo?
Não. Traduzam o que é prático (programa, acessos, alojamento, confirmação) e o que é emocionante (votos, leituras). O resto pode ficar numa só língua.
Em que língua escrever o convite?
Nas línguas das duas famílias. Se os convidados falam mais de duas, escolham as duas principais para o convite e ofereçam as outras no site.